Nestes últimos anos, a depressão e os transtornos de ansiedade, como o pânico e a fobia social, tem ocupado um bom espaço na mídia em geral. Um dos motivos a de que a década de 90 foi considerada a década do cérebro. Terminamos a década do cérebro e estamos iniciando a década da biologia molecular. Conhecemos as células e agora buscamos os gens. Nas décadas de 70 e 80 houve um grande avanço no conhecimento do funcionamento cerebral. Descobriu-se que os neurônios, as células que constituem a base do nosso sistema nervoso central, se comunicavam através de mediadores. Isto é, substâncias químicas que eram liberadas por uma célula e que ao chegarem à outra modificavam o funcionamento desta segunda célula, e o resultado disto era uma modificação do nosso humor, por exemplo. Assim, definiu-se melhor como nosso humor poderia ser modificado: através destes mediadores: a serotonina e a noradrenalina. A partir destes conhecimentos foi possível desenvolver-se todas as medicações que são atualmente usadas para não só para o alívio dos sintomas como para o tratamento destes transtornos. Mudanças no humor durante o dia, a semana, o mês são normais. Se acontece algo bom, ficamos felizes; se acontece algo ruim, nos deprimimos. Variações atenuadas do modo como nos sentimos faz parte da nossa relação com o mundo. Mas nem sempre é assim. Às vezes o humor fica para baixo, não muda mesmo com os bons acontecimentos. Às vezes, a vida continua a mesma, mas não nos sentimos mais felizes. Aquilo que um dia tinha graça deixou de ter; o que gostávamos de fazer não fazemos mais. Tudo ficou difícil, sentimos angústia, não dormimos nem comemos mais direito. Estamos com o que diagnosticamos de depressão. Em algumas pessoas a depressão é mais mascarada. Há um aumento do sono, do apetite e não chegamos a nos sentir tristes, mas muito irritados. São manifestações diferentes do mesmo problema: a depressão. Às vezes os sintomas são bem característicos e fáceis de serem diagnosticados. Às vezes, a depressão é como de denominamos, atípica, e requer mais cuidado para termos a certeza diagnóstica. Tem se observado que a característica mais freqüente das depressões é a anedonia, isto é, desânimo e falta de vontade de fazer qualquer coisa. Não só o trabalho, mas o lazer também. Não infrequentemente as pessoas pensam: isto vai passar, este meu desânimo é só porque as coisas estão difíceis para todo mundo e postergam a procura de tratamento. Ou sentem vergonha de irem a um psiquiatra. E a doença avança, mudando a vida da pessoa, modificando seus relacionamentos, enfim, trazendo vários prejuízos. Sem falar na possibilidade de sintomas tão fortes que a única alternativa visualizada é a morte. Quanto mais tardio o diagnóstico, pior é o prognóstico.
Assim, também, é a ansiedade. Sentir-se ansioso pode ser muito importante, e algumas vezes fundamental para a nossa sobrevivência. Quem estudaria se não estivesse com mêdo de rodar? A ansiedade em níveis normais nos ajuda a aprender, aumenta nossa concentração, nossa potência. É a ansiedade normal que os animais sentem quando estão ameaçados, e consequentemente se preparam para lutar ou fugir. O corpo responde moderadamente a fim de aumentar sua performance. Contudo, mais uma vez, nem sempre é assim. Às vezes sentimos ansiedade sem motivo, ou existe um motivo, mas a ansiedade é desproporcionalmente maior. Ela, a ansiedade, não contribui. Atrapalha. Faz o coração bater forte, suarmos, tremermos. Deixamos de fazer coisas, pois nos sentimos mal. É o que poderia se considerar como uma ansiedade patológica. Estes transtornos de ansiedade também se manifestam de várias formas, sendo que cada tipo tem uma designação específica dentro da psiquiatria. Quantos são ataques súbitos, de início rápido, com muitos sintomas físicos e pensamentos catastróficos, chamamos de pânico. Quando a ansiedade se manifesta apenas em situações em que temos que nos expor socialmente, isto é, falar ou comer em público, parar numa fila, assinar um cheque, chamamos de fobia social. Também pode ser uma ansiedade constante, nos sentirmos como uma corda de violão esticada: reagimos à qualquer coisa, brigamos, passamos mal. Pode ser o que se denomina de ansiedade generalizada. Estas divisões das ansiedades determinam que tipo de tratamento instituir. Existem vários tipos de terapia, cada uma delas voltada mais especificamente a um tipo de transtorno; além de um arsenal considerável de medicações, cada vez mais eficazes, com menos efeitos colaterais e riscos para o tratamento destas patologias.





