História da Associação

Histórico da Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (1938-2007)* Alfredo Cataldo Neto**; Fernando Schneider**; Gisele Gus Manfro**; Harri Valdir Graeff**; Idete Zimerman Bizzi**; Juarez Guedes Cruz**; Luiz Antonio Ortiz Martins**; Luiz Gustavo Guilhermano**

A PRÉ-HISTÓRIA DA SOCIEDADE

Cyro Martins relata “que durante muitos anos, a psiquiatria do Rio Grande do Sul girou em torno do Hospital São Pedro, que foi fundado em 1874. Nos primeiros cinqüenta anos, os diretores eram médicos de destaque da cidade. principalmente clínicos, mesmo porque não existiam psiquiatras e nem psiquiatria, existia o hospício e os loucos..:”.

Regressando de Paris, em 1921, o Dr. Jacintho Godoy Gomes, que tinha realizado um estágio sob a orientação do Professor Pierre Marie, assume a direção do Hospital São Pedro, função esta que desempenha por 20 anos, durante dois períodos de 1926 a 1932 e de 1937 a 1951. Com o apoio de Getúlio Vargas, Governador do Estado e de Oswaldo Aranha, seu Secretário do Interior, a quem estava afeta a “Assistência a Alienados do Estado”, dá inicio à remodelação do velho hospital. Esta remodelação foi ampla e atingiu não somente as áreas médicas, mas também melhores condições de atendimento para os pacientes. Transferiu-se a Colônia Agrícola do Município de São Jerônimo para uma área situada nas proximidades do hospital e criou-se a Escola Profissional de Enfermagem Psiquiátrica, oficializada pelo Governo do Estado, sendo a primeira no gênero a surgir no Brasil.

Na segunda fase, conta Dr. Cyro: “foram criadas quatro novas vagas, através de Concurso Público, para psiquiatras no Hospital São Pedro, que foram ocupadas por ele, Dr. Mario Martins, Dr. Luiz Ciulla e Dr. Brito Velho. Trabalhavam no hospital, na época, como psiquiatras, o Dr. Dyonélio Machado, o Dr. Décio de Souza, e o Dr. Murillo da Silveira entre outros”.

* Documento histórico publicado na Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, volume 13, número 03, páginas 149-159, 1991. ** Membros da Comissão de História da Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul.

A HISTÓRIA DA SOCIEDADE DE NEURO-PSIQUIATRIA DO RIO GRANDE DO SUL

No dia 28 de novembro de 1938, no Hospital São Pedro, realizou-se a sessão inaugural da então Sociedade de Neuro-Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Foi eleita a primeira diretoria, assim composta: Dr. Jacintho Godoy (presidente), Dr. Fábio de Barros (vice-presidente) e Dr. Cyro Martins (secretário). Foi nomeada também uma comissão para a elaboração dos estatutos, assim constituída: Dr. Dyonélio Machado, Dr. Almir Alves e Dr. Paulo Louzada.

De 1938 a 1940, a Sociedade reunia-se mensalmente para discussão de casos apresentados por um de seus membros e apreciação para admissão de novos sócios. As reuniões eram nos sábados, no Hospital São Pedro, e a Irmã Maria do Rosário servia uma famosa “sopa de capeletti”, muito apreciada pelos sócios. Após este período, a Sociedade entrou lentamente em decadência. Após um reerguimento temporário, já realizando suas sessões na sede da Sociedade de Medicina, houve uma fase de estagnação e colapso. O Dr. Cyro Martins denominou-a genialmente como a “fase da idade média da Sociedade”.

O primeiro curso público de Psiquiatria ocorreu em 1940, no Hospital São Pedro, promovido pelo Dr. Godoy e os jovens psiquiatras recém admitidos (após o concurso). O auditório, segundo Cyro Martins, se constituía essencialmente de professores.

Com o advento da terapia do eletro choque, de que se tinha notícias em Porto Alegre, mas cuja importação estava impedida pela guerra, teve-se que fabricar o aparelho em Porto Alegre. Foi o Dr. Murillo da Silveira que o montou, sendo experimentado inicialmente em cachorros, segundo Cyro Martins. Antes do fim da guerra, chegaram a Porto Alegre, alguns aparelhos “importados”.

Mas a “revolução” em termos de atendimento psiquiátrico veio com a psicodinâmica. Cyro Martins destaca: “em 24 de junho de 1938, desembarca em Buenos Aires Angel Garma, e com ele a introdução da psicanálise em todo o continente latino-americano. Aquilo que era possível de ser feito em algumas cidades européias, a psicanálise, agora estava próxima, em Buenos Aires”. Os novos psicanalistas em Porto Alegre (Dr. Mario Martins, Dr. José Lemmertz, Dr. Celestino Prunes e Dr. Cyro Martins) contribuíram para infiltrar a psicodinâmica na psiquiatria gaúcha.

A HISTÓRIA DA SOCIEDADE DE NEUROLOGIA, PSIQUIATRIA E NEUROCIRURGIA

Em uma Assembléia Geral dos Delegados Fundadores, em 27 de outubro de 1951, foi estruturada a AMRIGS – “Associação Médica do Rio Grande do Sul”. Seus estatutos, aprovados nessa Assembléia Geral, foram impressos e publicados em 1952. Tinha como sede o Edifício Piratini, rua Uruguai, em Porto Alegre.

Consoante ao espírito inspirador da Associação Médica, foi reanimada a antiga Sociedade, que havia sido fundada em 1938. Em 9 de setembro de 1952 foi publicado edital, no Diário Oficial do Estado, convocando Assembléia Geral Extraordinária para aprovar os Estatutos da Sociedade em forma definitiva, para conseguir assim sua legalização, com os registros oficiais, condição necessária para assinar contrato com a Associação Médica do Rio Grande do Sul, o que foi realizado. O primeiro estatuto foi elaborado pelo então Presidente, Dr. Frederico H. Ritter, mas recebeu várias emendas do plenário presente à Assembléia. Em 23 de outubro de 1952, reuniu-se novamente a Sociedade, em segunda convocação, pois a primeira não teve o número legal, de acordo com o edital publicado no “Diário de Notícias” de 18 de outubro de 1952. Assumiu a presidência o Dr. Paulo Guedes.

Em 9 de abril de 1953 foi proposto pelo Dr.Bruno Marsiaj, presidente da AMRIGS, que a nossa Sociedade se transformasse num Departamento especializado daquela, resolvido que esta decisão seria tomada em assembléia geral convocada posteriormente.

No dia 29 de outubro de 1953 foi reeleita a diretoria, mudando apenas o presidente, desta vez tendo sido eleito o Dr. Celso Aquino, visto que havia certa alternância, que consistia em ser, um ano, o presidente do setor da psiquiatria, e no outro um neurologista ou neurocirurgião. O número de associados não era muito grande (menos de vinte); por isso, não havia constituição de chapas para as eleições, sendo os cargos votados individualmente.

Em 26 de julho de 1954 chegava a Porto Alegre o Prof. Enrico Pichón-Rivière, da Associação Psicanalitica Argentina, o qual realizou a conferência intitulada “Conceitos fundamentais da medicina psicossomática”. O Dr. Zimmermann referiu o grande interesse que havia em receberem professores estrangeiros, que, com seus conhecimentos, sempre representavam uma renovação da atmosfera profissional As reuniões além do seu caráter cientifico, constituíam-se num verdadeiro acontecimento social, já que eram também freqüentadas pelos membros dos consulados do país de origem do convidado, além de pessoas destacadas do meio intelectual. E assim vieram além de Pichón-Rivière, Arnaldo Raskovsky, Angel Garma, Marie Langer e outros colegas.

Em 31 de outubro de 1956 foi eleito Dr. Cyro Martins para a presidência. E o seu 2.° secretário Dr. Heraldo Ferreira, apresentou projeto de formação de um Departamento de Estudos na Sociedade, cuja finalidade era:

1) coordenar os trabalhos de pesquisa científica; 2) publicação anual de trabalhos selecionados; 3) anais da sociedade. A Direção do projeto seria confiada a dois coordenadores da confiança do presidente e as diretrizes seriam: cursos de extensão elaboração de programa de estudos, organização de centros de estudos e pesquisas e prêmio anual ao melhor trabalho científico.

A seguir, com a indicação do Dr. Cyro Martins e a aprovação da assembléia, foi instituída uma comissão composta pelos Drs. Gayer Costa (diretor da 15ª Enfermaria), Dr. João Dahne (Serviço de Neurologia e Neurocirurgia) e Dr. David Zimmermann (Professor Assistente da Cadeira de Psiquiatria) para elaborar um grupo de trabalho para formação de um Departamento Científico. Dr. David Zimmermann considera que o anteprojeto acima descrito foi, de certo modo que se constitui na pré-história do Curso de Especialização em Psiquiatria, do qual participou como fundador e docente.

A sessão extraordinária de 29/01/1957 teve, na ordem do dia, “As causas da demissão do Diretor do Hospital Psiquiátrico São Pedro”: o destacado Psiquiatra Dr. Celso Papaleo. Por unanimidade, os sócios presentes aprovaram um protesto, a ser publicado na imprensa local, contra a demissão do Dr. Papaleo e resolveram solidarizar-se com a campanha pró-autonomia do Hospital :São Padro. O Dr. Zimmermann lembra que, para a Sociedade, foi um marco importante esta tomada de posição e a conseqüente vitória da sociedade contra aquela equivocada decisão do então Governador, Ildo Meneghetti, e, como solução, a SPNNRGS indicou cinco nomes, para que o Governador escolhesse o novo Diretor do HPSP, recaindo a preferência sobre o Dr. Dyonélio Machado.

Outro marco importante acontecido sob a Presidência do Dr. David Zimmermann, foi a divisão da Sociedade em dois setores a “Secção de Neurologia e Neurocirurgia” e a “Secção de Psiquiatria”, na assembléia geral de 23/07/59, através de um adendo que modificava o então artigo 17 dos estatutos. Relata o Dr. Zimmermann que esta modificação foi natural e sem contrariedades, visto que os assuntos que interessavam dois grupos de médicos já vinham se tornando cada vez mais especializados nos últimos anos Para que cada secção pudesse funcionar com relativo desembaraço, foi estabelecido que o Presidente e o Secretário da Sociedade pertenceriam a uma das secções, e o Vice-Presidente e o Segundo Secretário à outra secção passando a haver reuniões ordinárias para cada secção em separado; mas os estatutos determinavam, no artigo 17, parágrafo 2º que duas vezes por ano, no mínimo, seriam realizadas reuniões conjuntas das duas seções, sobre temas de interesse comum a ambas secções.

Durante os anos de 1961 e 1962, o Dr. Sergio Paulo Annes foi o dirigente associativo dos psiquiatras do Rio Grande do Sul. Em 1961, dirigiu o setor de Psiquiatria da SNPNRGS, sendo vice-presidente da entidade. Em 1962, dirigiu, como presidente, a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia do Rio Grande do Sul.

Este período foi profundamente marcado pelo fato de o poder público, de forma inusitada, ter se interessado por melhorias no Hospital São Pedro, berço de origem da nossa Sociedade. Assim, em novembro de 1961, a Sociedade decidiu prestar uma homenagem ao então Secretário da Saúde do Estado Deputado Lamaison Porto, como reconhecimento ao fato de ter cumprido com o seu dever de forma construtiva. No período, foram edificados nove pavilhões no hospital, bem como o Serviço Ambulatorial – tudo sob a direção de colegas sócios da SNPNRGS. Era diretor do Departamento Estadual de Saúde Mental o Dr. Barros Falcão, e diretor do Hospital São Pedro o Dr. Luiz Ciulla.

A programação científica da Sociedade nesse período voltou-se para o estudo da epilepsia e do alcoolismo. Assim, o ano de 1961 foi dedicado ao estudo da epilepsia, organizando-se um ciclo de debates e conferências com convidados associados e de fora da Sociedade. Já em 1962 o foco de interesse voltou-se para o estudo do alcoolismo e durante todo o ano desenvolveu-se outro ciclo de conferências e debates.

Dr. Meneghini conta que o período de sua gestão foi marcado por eventos políticos importantes, com grande agitação. A SNPNRS vinha-se reunindo pouco e, após a ruptura institucional pela Revolução, passou longo período sem reuniões. Como Diretor do Departamento de Saúde Mental e Presidente da SNPNRS, o Dr. Meneghini foi designado para visitar, com freqüência, os colegas presos.

Recorda o presidente que dois colegas foram presos por terem, em sua casa, saquinhos de terra da Praça Vermelha de Moscou. Com freqüência, era solicitado para dar pareceres sobre a inclinação política de colegas e quando lhe era informado que o colega “já havia estado na URSS”, costumava responder: “sim, já visitou, mas analisou-se depois disto”.

Durante sua gestão, fez amplo recadastramento dos sócios com reorganização dos registros. Permaneceram associados somente os que mantinham vinculo ativo com a SNPNRS.

Durante o ano de 1965, a diretoria da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia do Rio Grande do Sul, presidida pelo Dr. Manoel Albuquerque, teve o cuidado de realizar várias conferências, procurando discutir o atendimento de pacientes previdenciários e o trabalho nessas instituições.

Outro ponto de interesse foi o da integração da psiquiatria do Rio Grande do Sul com outros estados brasileiros. Com esse intuito, o presidente da Sociedade, através do Brigadeiro da Integração Nacional, Eduardo Gomes, fretou gratuitamente um avião, que levaria os participantes ao Congresso Brasileiro de Psiquiatria no Ceara.

Como condição para obter acesso à passagem, os psiquiatras interessados deveriam escrever e apresentar trabalhos no Congresso. Foram 35 pessoas, e os gaúchos estavam presentes em todas as salas. Com essa presença, significativa e importante cientificamente, foi possível sediar o Congresso posterior em Porto Alegre (1967), sob a presidência do Dr. Paulo Guedes.

Também durante essa gestão, o Dr. Albuquerque representou o CELG e a Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, dia 13 de agosto de 1966, quando surgiu a Associação Brasileira de Psiquiatria. Essa assembléia foi convocada durante o Congresso Brasileiro, em 1965.

As atividades científicas e políticas foram compartilhadas com encontros sociais e de grande atividade artística, principalmente musical.

Tendo como Presidente o Dr. Isaac Pechansky, foram regulamentados os pré-requisitos para a filiação à Sociedade, na condição de psiquiatra, levando-se em consideração o tempo de prática como psiquiatra e a realização de curso dentro da especialidade. Na época, Porto Alegre contava com dois cursos de especialização, a Divisão Melanie Klein, do Hospital Psiquiátrico São Pedro, e a Clínica Pinel.

No ano de 1968, a Sociedade de Neurologia e Psiquiatria completava trinta anos de existência, sendo alguns de seus sócios fundadores homenageados: Cyro Martins, Dyonélio Machado Luiz Ciulla, Mario Martins, Celso Aquino e Eliseu Paglioli. A solenidade, com entrega de diplomas, ocorreu no Clube Cotillon, na Av. Salgado Filho, em Porto Alegre.

Ainda durante 1968, decidiu-se dividir os registros da Sociedade em três livros de atas: a) reuniões ordinárias da seção de neurologia e neurocirurgia; b) reuniões ordinárias da seção de psiquiatria; c) assembléias gerais extraordinárias; o que já dava indícios da futura separação.

Na presidência do Dr. Marcelo Blaya Perez, em Assembléia Geral Ordinária de 6 de julho de 1970, foi discutida a proposta do Dr. David Zimmermann para a instituição do Prêmio Paulo Guedes, como forma de estimular o trabalho científico psiquiátrico e homenageando o grande mentor e colega tão prematuramente desaparecido. Foi apreciado o teor do anteprojeto e proposta uma comissão especial designada pelo Presidente da Sociedade, composta pelos Drs, Mário Bertoni, Odon Cavalcanti e Flavio Rotta Correa, para estudar a idéia e apresentar um parecer numa reunião posterior.

O Dr. Mostardeiro relata que sua eleição apresentou uma característica incomum: houve disputa entre duas chapas – sendo a que ele encabeçou a da situação. Houve disputa acirrada e a votação envolveu virtualmente a totalidade dos sócios.

Durante sua gestão, a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia subdividiu-se, criando-se o Departamento de Psiquiatria e o Departamento de Neurologia, autônomos entre si, num primeiro movimento de separação, que se concretizou em 1973, na gestão do Dr. Harri V.Graeff.

Embora não fosse promovido pela Sociedade, o evento mais importante que ocorreu, segundo o ex-presidente, foi a Jornada de Psiquiatria Dinâmica, realizada em Pelotas. Promoveu-se um curso de Psicofarmacoterapia, ministrado pelo Dr. José Romildo Bueno, que surpreendeu o público ao afirmar que experimentava qualquer substância que prescrevia a seus pacientes em si mesmo.

Na Assembléia Geral Extraordinária de 6 de março de 1972, da SNPNRGS, foi instituído o Prêmio Paulo Guedes, com o seu conjunto de normas.

Em 20 de setembro de 1972, a Sociedade comunicava aos associados a reforma de seus Estatutos, que, em “linhas gerais definia a Sociedade como sendo composta por duas Secções: a de Neurologia e Neurocirurgia e a de Psiquiatria, com certa autonomia administrativa. Para tanto, foram acrescentadas algumas funções aos cargos de Presidente e Vice-Presidente, e foi criado o cargo de 2º Tesoureiro. “Houve também uma alteração no sistema de eleição de modo que, anualmente apenas seriam eleitos o Vice-Presidente, o 2º Secretário e 2º Tesoureiro. O Presidente, 1º. Secretário e 1º Tesoureiro seriam automaticamente os eleitos no ano anterior. Deste modo neste ano (1972) os Drs. Mario Coutinho e Roberto Santiago seriam conduzidos à Presidência e a 1º Secretários respectivamente”.

Dentro da nova sistemática, a Presidência da Sociedade caberia à Secção de Neurologia e Neurocirurgia, com mandato até dezembro de 1973. De dezembro de 1973 a dezembro de 1974 a Presidência caberia à Secção de Psiquiatria.

Esta nova forma de divisão da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia indicava uma individualização das atividades de cada Secção, como resultado dos progressos realizados na área de cada uma das especialidades que constituíam a Sociedade.

No dia 24 de março de 1973 houve o primeiro concurso para Título de Especialista em Psiquiatria. A banca examinadora foi formada pelos Drs. Manoel Albuquerque, Hans Ingomar Schreen e Ely Atalla Cheffe.

Em 12 de junho de 1973, na Assembléia Geral Extraordinária, foi constituída a primeira comissão do Prêmio Paulo Guedes, constituída por três integrantes, cada um representando as cadeiras de Psiquiatria das três Faculdades de Medicina de Porto Alegre, de preferência o titular da cadeira ou seu representante oficial.

Na prática, em função do afastamento do Dr.Mario Coutinho para a realização de um curso de aperfeiçoamento no exterior, a Presidência da Sociedade passou à Vice-Presidência, o que criou algumas dificuldades de ordem administrativa, que levaram os componentes da Diretoria, após consultados os associados das duas Secções, e proporem o desmembramento da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia do Rio Grande do Sul em duas entidades, distintas e autônomas.

Para tanto foi convocada, em 5 de outubro de 1973, uma Assembléia Geral Extraordinária para o dia 23 de outubro de 1973, a qual foi presidida pelo neurocirurgião Prof. Dr. Elyseo Paglioli e secretariada pelo psiquiatra Dr. Sergio Paulo Annes, tendo sido aprovado por unanimidade o desmembramento e a consequente criação das Sociedades de Psiquiatria e da Sociedade de Neurologia e Neurocirurgia. Na mesma Assembléia, foram tomadas de imediato as seguintes medidas: convocação de Assembléias Gerais das respectivas Sociedades” para a elaboração dos Estatutos; apresentação de chapas para eleições na Sociedade de Neurologia e Neurocirurgia, dentro do prazo de 15 dias, por estar findando o período do mandato; marcação da data da eleição, para a Sociedade de Neurologia e Neurocirurgia, para 30 de novembro de 1973; participando o nascimento das novas Sociedades, a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia expediu em 5 de novembro de 1973 sua última comunicação conjunta, dirigida a todos os associados de ambas. Como a Diretoria da Secção de Psiquiatria estivesse com seu mandato em vigor até dezembro de 1974, foi a mesma mantida.

Os cargos diretivos passaram a ter nova denominação e surgem as figuras do Diretor Científico e do Diretor de Relações Públicas. Era a primeira adaptação aos Estatutos da Associação Médica do Rio Grande do Sul, recentemente aprovados.

A HISTÓRIA DA SOCIEDADE DE PSIQUIATRIA DO RIO GRANDE DO SUL

A diretoria presidida pelo Dr. Harri V. Graeff houve por bem não concluir seu mandato que deveria expirar em dezembro de 1974, a fim de facilitar as gestões das novas diretorias, tendo renunciado e promovido, em 30 de abril de 1974, a eleição da 1ª. Diretoria, a qual tomou posse em 28 de maio de 1974.

As providências no sentido de oficializar a nova Sociedade foram tomadas. Em março de 1974, a Associação Brasileira de Psiquiatria a aceitava como federada. Em abril de 1974, o Diário Oficial do Estado publicava, na página 61, a síntese dos Estatutos, e ainda em abril foi encaminhada a solicitação para que o cartório de Registro Especial procedesse à inscrição dos Estatutos. Foi o batismo oficial.

Hoje, decorridos 70 anos de sua fundação inicial, tendo passado por 38 diretorias, os pioneiros neuropsiquiatras, menos de dez, transformaram-se nos mais de oitocentos sócios psiquiatras gaúchos.

Clique aqui e acesse a Relação das Diretorias da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Neurocirurgia do Rio Grande do Sul.

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